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Futebol/Copa das Confederações - (28/06/2009 18h15)

Entre choro e religiosidade, Lúcio lembra desprezo do Bayern


Joanesburgo (África do Sul)

AFP
Lúcio fez o gol da virada e chorou até o fim das comemorações. Uma resposta ao Bayern.

Aos 40 minutos do segundo tempo, Lúcio cabeceou com raiva para virar a decisão da Copa das Confederações e chorou muito até o fim do jogo contra os Estados Unidos. Contagiando seus companheiros com sua emoção, o capitão não cansava de falar de Deus e sua esposa, vendo o título como resposta à dispensa do Bayern de Munique.

"Este título significou muito para mim. A temporada foi bem difícil, só Deus sabe o que eu passei. Tenho que agradecer a toda a equipe, minha esposa e Deus que me deram força nos últimos dias. Não esperava a notícia de que não seria aproveitado no Bayern. Mas Deus prevaleceu", apontou o zagueiro.

Em meio à disputa do torneio na África do Sul, o defensor soube que o clube alemão abria mão do contrato vigente porque seu futebol já não interessava mais à equipe. O brasileiro reclamou e, dias depois, a diretoria recuou, anunciando que ainda deseja contar com ele na próxima temporada.

A mudança de seus chefes, porém, não acalmou Lúcio. O camisa 3 estava aliviado com seu gol e o título na sede da próxima Copa do Mundo. Após o apito final, andava sem direção no campo, abraçando a todos. Só parou para colocar uma camiseta branca com a inscrição "I love Jesus" na frente e "Dione meu amor" nas costas.

Com lágrimas nos olhos, piscava sem parar agarrado aos companheiros enquanto todos cantavam "Ô, o Brasil voltou". Mas estava mais preocupado em mostrar sua paixão pela religião. Ao fazer o gol, ele foi para a lateral do campo gritando "É para você, meu Pai", em alusão a Deus.

"Ele é o único que me dá força, quando estou no quarto sozinho. Individualmente, fico muito feliz com este título. Glória a Deus", dizia, eufórico. "O primeiro tempo foi muito triste, mas acreditamos sempre, até o final. E Deus prevaleceu. De virada é mais gostoso, muito mais emocionante. Fico feliz por dar esta alegria e felicidade para todos no Brasil", discursou.

O zagueiro só se conteve quando foi chamado para erguer a taça no palco luminoso montado pela organização da competição. Depois de receber afagos de todos os dirigentes, incluindo um caloroso abraço do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, fez questão de levantar uma taça pela primeira vez como capitão da seleção ao lado de seus companheiros.

Com estilo simples, o zagueiro cumpriu o protocolo e tirou sua camisa especial, deixando-a enrolada na cintura abaixo da camisa amarela da seleção. Mas obrigou o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, a levarem o troféu até o meio de todos os jogadores. Uma vitória pessoal e coletiva celebrada com muito choro.






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