| RESULTADOS DE MARIA ESTHER E ALTHEA GIBSON NAS DUPLAS DE WIMBLEDON 1958 |
| PRIMEIRA RODADA |
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classificação automática |
| SEGUNDA RODADA |
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Vitória sobre Margot Dittmeyer e Érika Volmer (ALE): duplo 6/2 |
| OITAVAS DE FINAL |
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Vitória sobre Karol Fageros e Dorothy Knode (EUA): 6/4 e 6/3 |
| QUARTAS DE FINAL |
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Vitória sobre Sue Chatrier (FRA) e Angela Mortimer (GBR): duplo 6/0 |
| SEMIFINAL |
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Vitória sobre (3) Mary Hawton e Thelma Long (AUS): 6/3 e 6/2 |
| FINAL |
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Vitória sobre Margaret Varner e Margaret du Pont (EUA): 6/3 e 7/5 |
Nos Estados Unidos, Maria Esther Bueno continuou obtendo "sucesso total": conquistou 11 títulos (seis em simples, cinco em duplas) em 14 possíveis antes de se arriscar na América Latina. Curiosamente, em Colômbia e Venezuela, a brasileira não se deu tão bem por um 'simples' motivo: a norte-americana Althea Gibson, número 1 do mundo, iniciara lá sua temporada.
Estherzinha perdeu os quatro jogos disputados contra a negra Althea de 30 anos e amargou cinco vices-campeonatos entre Caracas e Barranquilla. Entretanto, a passagem pela América do Sul foi proveitosa para Maria Esther, que chamou a atenção de Gibson. Resultado: a brasileirinha de 19 anos foi convidada para ser parceira de duplas da consagrada tenista.
"Ela gostou muito do meu jogo, achou que eu seria uma ótima parceira. Lógico que para mim era uma honra jogar com uma pessoa que já havia ganhado Wimbledon na simples e na dupla", recordou Maria Esther, em entrevista no início desta década à Revista Tênis.
O novo dueto deu mais do que certo. Juntas, a latina brasileira e a negra norte-americana, duas tenistas dotadas de habilidade e fãs do saque-e-voleio, conquistaram todos os títulos que disputaram juntas no Caribe e nos Estados Unidos entre março e abril.
Até que a temporada europeia começou. Estherzinha, aconselhada pelo ex-tenista Armando Vieira - primeiro brasileiro a alcançar as quartas de final de um Grand Slam, em Wimbledon-1951 - rumou para o Velho Continente em 21 de abril de 1958. Três semanas depois, despertou grande interesse dos italianos no Foro Itálico, palco do Torneio de Roma. Após assistir a alguns treinamentos de Maria Esther, os diretores resolveram colocá-la para jogar na quadra central.
Por lá, Estherzinha recebeu um apelido da mídia italiana: La Bueno (provavelmente, um equívoco entre o espanhol e o português, que muitos europeus cometiam ao citar a brasileira - como aquele erro que seria publicado anos mais tarde no jornal inglês Sunday Mirror, em 5 de julho de 1964: "Bueno, that means good in her language" - em português, 'Bueno, que significa bom na língua dela'). Entretanto, além da alcunha, Maria Esther ganharia algo mais.
Na quadra central, a promissora brasileira sagrou-se campeã do Torneio de Roma - o quinto mais importante do mundo naquela época. Cabeça de chave número 4, Maria Esther Bueno venceu na final a australiana Lorraine Coughlan, sétima favorita, de virada: 3/6, 6/3 e 6/3. Como adulta, aquele era o maior feito já alcançado por ela.
Estherzinha já era mais conhecida pelos europeus quando chegou às semifinais de Roland Garros e, logo depois, alcançou a tríplice coroa na terra batida de Wiesbaden, na Alemanha: simples, duplas e duplas mistas. Com Althea, foi para a Inglaterra e se deparou com o piso de grama - sobre o qual já havia jogado na Jamaica em 1957. Lá, virou apenas Maria Bueno: os ingleses não sabiam pronunciar Esther (o máximo que conseguiam era algo como 'is there').
Após títulos em simples de Bristol e duplas de Queen's, Maria Bueno aportou em Wimbledon para ser quadrifinalista na chave individual e campeã de duplas com Gibson. Ao mesmo tempo em que a seleção brasileira trazia da Suécia a primeira Copa do Mundo, Estherzinha conquistava o primeiro Grand Slam do tênis verde-amarelo.
Antes de encerrar a abastada temporada 1958, Maria Esther disputou o Aberto dos EUA, na época jogado sobre a grama e com o torneio de duplas sendo realizado em Massachussetts. Apesar da pressão dos organizadores para Althea atuar com uma parceira norte-americana, a negra do Harlem bateu o pé e ameaçou abandonar a competição se fosse proibida. Os diretores cederam, e a dupla brasileiro-norte-americana foi vice-campeã - na final, foram superadas pelas anfitriãs Darlene Hard e Jean Arth.
Althea Gibson, depois de ganhar o US Open em Forest Hills, anunciou a aposentadoria. Na verdade, ela estava prestes a passar do amadorismo para a Liga Profissional, que, diferentemente das dezenas de dólares dos torneios, pagava cifras milionárias para os competidores. Além disso, fez uma profecia.
"Estou me afastando do tênis a tempo. A próxima campeã mundial será Maria Esther Bueno", arriscou a norte-americana. Estherzinha, tímida, desconversou: "Se ainda não consegui vencê-la nenhuma vez, como posso imaginar me tornar tão grande como ela?".
| Prêmio detido |
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Ao desembarcar no Brasil em 3 de outubro de 1958, Maria Esther passou por uma situação, no mínimo, desagradável: a réplica do prato de Wimbledon foi detida pela alfândega, que exigia US$ 200 para liberá-lo. A tenista fez um apelo público ao presidente Juscelino Kubitschek e conseguiu o troféu, sem precisar pagar a multa. |
