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Reportagem/Tênis - (03/07/2009 17h39min37 - Atualizado 16/09/2009 00h40min53 )

Gibson crava um ace na linha e Maria Esther reina o mundo


Felipe Held - São Paulo (São Paulo)
RANKING DE 1959

Maria Esther Bueno (BRA)
Christine Truman (GBR)
Beverly Fletz (EUA)
Sandra Reynolds (AFS)
Angela Mortimer (GBR)
Darlene Hard (EUA)
Ann Haydon (GBR)
Rene Schuurman (AFS)
Yolanda Ramírez (MEX)
10ª Dorothy Knode (EUA

Althea Gibson estava certa: Maria Esther Bueno se tornou a melhor tenista do planeta e não levou muito tempo. Não apenas pelo título de Wimbledon em 1959, mas pelo prosseguimento da brasileira de 19 anos naquela e nas temporadas seguintes. Até 1968, Estherzinha esteve entre as dez melhores tenistas do planeta. A soberania só não foi maior por causa de uma lesão, que não abreviou, mas praticamente encerrou a carreira da atleta. 

Maria Esther continuou dando aulas de tênis às adversárias em 1959. Dona do saque mais forte do circuito, ela praticamente não teve rivais à altura no Aberto dos Estados Unidos, àquele tempo jogado na grama de Forest Hills. Depois de Wimbledon, o torneio de maior prestígio do mundo, a brasileira alcançou a taça da segunda competição mais importante. Consequência inevitável: primeiro lugar do ranking mundial (não-oficial, feito por jornalistas norte-americanos).

A primeira tenista sul-americana a ser considerada a melhor do planeta era do Brasil, pátria que aos poucos adotava o tênis para dividir com modalidades como boxe e basquete o segundo espaço no coração brasileiro - atrás, é claro, do futebol. Mas Estherzinha ficou mesmo em primeiro lugar. Do mundo, em 1960.

Acervo/Gazeta Press
Estherzinha ficou entre as dez primeiras do ranking por 10 anos, entre 1958 e 1968

Poucas foram as derrotas da brasileira, que conquistou seis títulos de majors na temporada de 49 anos atrás: renovou a taça de Wimbledon em simples, ficou com as duplas mistas de Roland Garros e fechou a série Grand Slam nas duplas femininas: na Austrália, ganhou com a inglesa Christine Truman. Em França, Inglaterra e Estados Unidos, com Darlene Hard. Maria Esther Bueno era a primeira mulher a conseguir tal feito - que só seria repetido 24 anos depois, por Martina Navratilova e Pam Shiver.

A brasileira não parou por aí, mas quase. Em 1961, a brasileira teve a promissora temporada, já marcada pelo segundo título em Roma, encerrada ainda em maio após contrair hepatite em Paris, durante a disputa de Roland Garros. Impedida de se tornar a primeira atleta do mundo a conquistar o tricampeonato de Wimbledon, Maria Esther retornou ao Brasil para tratamento. Pela primeira vez, recebeu ajuda médica e financeira da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e, durante todo este tempo, foi acompanhada pela amiga Darlene Hard durante a recuperação.

Reabilitada, Maria Esther voltou a jogar oito meses depois. Já em 1962, foi finalista de Roma e perdeu para a ascendente e promissora australiana Margaret Smith (hoje, Margaret Smith-Court), em uma decisão emocionante: foram 36 games necessários para Smith fechar o jogo por 2 sets a 1, parciais de 8/6, 5/7 e 6/4, e ficar com o título.

Em 1963, porém, mais um susto: Estherzinha foi mordida por um filhote de cachorro que havia ganhado pouco tempo antes dos Jogos Pan-americanos de São Paulo e quase não jogou o torneio. Mesmo com dores, ganhou o ouro nas simples e alcançou a medalha de prata nas duplas femininas (com Maureen Schwartz) e mistas (com o jovem gaúcho Thomaz Koch). No mesmo ano, venceu Forest Hills pela segunda vez.

Consagração definitiva Maria Esther Bueno teve em 1964, quando se sagrou tricampeã de Wimbledon. Na final, venceu Margaret Smith em três sets: 6/4, 7/9 e 6/3. A comemoração foi mais um desabafo: pulou, jogou a raquete para o alto. Estherzinha extravasou.

Acervo/Gazeta Press
Com o título de Wimbledon em 1959, Maria Esther Bueno virou até selo postal no Brasil

"O terceiro título teve mais valor pela sucessão de problemas físicos", contou Maria Esther em 1996 ao jornal A Gazeta Esportiva. "Muitos diziam que eu não suportaria três sets - minha adversária era Margaret Smith-Court, que já fazia um grande trabalho de preparo físico, era um touro, um touro enorme - e eu ganhei, em três sets", complementou.

Ainda em 1964, Maria Esther Bueno foi tricampeã de Forest Hills ao massacrar na decisão a norte-americana Carole Caldwell, por incríveis 6/0 e 6/1. Apenas 19 minutos durou aquela decisão, naquela época a mais rápida em uma final de Grand Slam.